quinta-feira, 3 de março de 2016

Perpetuum mobile


Urge dar ao passado sua verdadeira dimensão, sua importância e textura mais fiel
Existiria o futuro sem o passado?

Eis aqui sua importância.
E quanto à consciência, prescindiria do passado?

Eis aqui a sua importância.
Desdenhar o passado seria descerrar amparos para sua repetição perpetuum mobile

A magia é desvelar o ponto mínimo no espaço que encerra passado, presente e futuro
Porque é onde reside a vida, a pujança, a consciência, o paraíso

onde passado, presente e futuro materializam a existência plena
Rodoux Faugh

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Seus sonhos estão nas alturas?

Leonardo da Vinci - The Dreyfus Madonna (The Madonna with a Pomegranate) - 1469

Seus sonhos estão nas alturas? Ótimo. É junto aos deuses que se abrigam. Sua jornada consiste em construir escadas e caminhos capazes de conduzi-lo até eles.
Rodoux Faugh

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Aprender e ensinar


Botticelli, Sandro - Adoration of the Magi - 1475

Em meu coração repousa um desejo
Imantado por lutas, suor, sangue, sacrifícios mil
Em meu coração lateja explosivo desejo
Temperado com sonhos idílicos, líricos, pastoris
Em meu coração pulsa e insinua passos de bucólica dança viril desejo
Tecido com todas as esperanças adultas, infantis, juvenis
Guarda pobre e efêmera rima, não nego, pois que abraça redenção
Distante – insisto – do que possa assemelhar sebastianismo, messianismo, salvadorismo...
Meu desejo secreto brinca, versa, entoa, cantarola
Observa, avalia, critica, recicla, processa, reprocessa, aprende e ensina
E destila todos encantos quando o trato é educação
Rodoux Faugh

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A lei e a república




A impunidade é a mãe da delinquência, da mais desprezível pandilha

Impossível a criação de cidadãos caldeados no clientelismo

Como o aço - é no empreender, na independência e no fogo purificador do saber que são estruturalmente forjados os homens de bem

Não prevarique e não licencie

Se abstenha de torcer a justiça

Desdenhe o favoritismo e manifeste aos brados plena guarida à lei

Faça-a respeitável e a respeite com reverência

A lei

A mesma lei

A mesma lei para todos

denunciando os que tornam alguns mais iguais que outros

os que professam fé e emprestam ares de princípio ao aleive Aos amigos tudo, menos a lei; aos inimigos, nada, nem a lei”.

As oportunidades, universalize!

A coisa pública, democratize!

A res pública, consolide!
Rodoux Faugh

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Mandela, o doce guerreiro que tece poemas à verdade




O Senhor partiu

Seguiu em direção ao azul mais límpido e cintilante

E seguiu com a simplicidade e os trejeitos singelos e humildes dos virtuosos

Seguiu da forma que sempre fizera na terra dos ímpios: resoluto, confiante, altivo...

Destemido, foi elevando o frágil corpo

passo a passo, vencendo a misteriosa neblina que emoldura o paraíso

O que mais poderia, o Senhor, temer?

Já não enfrentara, em terras africanas, as trevas e as barbáries dos homens-hienas?

Já não houvera sangrado a dor da injúria, a humilhação do açoite?

Já não conseguira desnudar a cantilena e a falácia dos messianistas que tomam gente por manada para conduzi-la a desertos inóspitos

Já não conseguira desmascarar demagogos-revolucionários que tomam gente como boiada para trancafiá-la na ignorância, na servidão?

O que mais poderia, o Senhor, temer?

Bradou pela liberdade e democracia,

Cantou pela independência e justiça

Dançou por oportunidades iguais

Nada de emular o confronto, nada de estimular a desgraça, nada de enaltecer a vingança, nada de rezar racialismo

Não... o Senhor abraçou o ideário do pacifismo

Acalentou o perdão e a convergência

Ignorou o miasma nauseabundo que exala do passado

E fixou os olhos de lince no quadrante futuro, no amanhã que purga os erros e liberta... liberta

Sim, o Senhor se apresenta ao Senhor... e não se envergonha...

Divertem-se,

Os céus celebram em festa

Os Senhores cantarolam as canções dos justos,

Entoam os compassos dos valentes,

Desenham a escrita dos que tecem poemas à verdade
Rodoux Faugh





terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A mudança...




Estude disciplinadamente; trabalhe com volúpia e vigor; persevere sem dar tréguas à preguiça; acredite, acredite piamente que a vida vai melhorar; dê ternura, alimento e guarida à fé interior... e, então, a mudança se tornará uma mera questão de tempo.
Rodoux Faugh

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

...como o mágico...

Goya, Francisco - Blind Guitarist - 1778

Sempre é tempo quando o desafio é reconstruir o tempo para domá-lo, dominá-lo, como o mágico que domina a moeda, fazendo com que caminhe e desapareça dentre os dedos da mão.
Rodoux Faugh

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

amar é


amar é se reconstruir a cada dia, é tornar a energia destruidora de mil tornados na brisa amena de
uma tarde de verão ...
Rodoux Faugh

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Altruísmo, caridade, renúncia, sacrifício, nem cogitar



Ou educamos hoje as crianças e a juventude
Ou amanhã o ‘bom dia’, o ‘bem vindo’, o ‘ao seu dispor’, não mais haverá
Nem ‘licença’, ‘perdão, ‘desculpe’
Sequer ‘obrigado’ e ‘por favor’
Altruísmo, caridade, renúncia, sacrifício, nem cogitar

Ou educamos hoje nossas crianças e a juventude
Ou amanhã estaremos encarcerados em nossas casas
Aterrorizados, chorando o filho assaltado, estuprado, assassinado pela barbárie urbana

Ou educamos as crianças hoje
Ou o amanhã restará caótico, hostil, esquálido 


O delinquente ‘dimenor’ e o progressista político ‘dimaior’ barbarizam as famílias e tornam a sociedade refém da brutalidade explícita, do discurso grotesco e populista, da racionalidade messiânica

domingo, 13 de setembro de 2015

Demagogia redentora que seduz para aniquilar

Leonardo da Vinci Rearing Horse, c. 1483-1498

Auxiliar o outro a levantar, ajudar a acomodar nos ombros o fardo pesado é obrigação generosa e altruísta. Mas, carregá-lo é expressão de inaceitável canalhice, é demagogia redentora que seduz para aniquilar. 
Rodoux Faugh

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Os que desdenham a memória


Cezanne, Paul - Le Nègre Scipion, 1867


Perdoar?, sempre; esquecer?, em tempo algum
Porque os que desdenham a memória

Estão fadados à cumplicidade com a mesquinhez e a servidão.  
Rodoux Faugh

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Da crise faço alavanca para atravessar a noite


    Cezanne, Paul - Bread and Eggs - La pain et les oeufs, 1865.

Da crise faço alavanca para atravessar a noite,
emprenhá-lá de brilho, fulgor e claridade
quando, então, fecundo, concebo e crio centelhas de ouro
os raios de sol que haverão de elucidar e engrandecer a vida
Rodoux Faugh

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A força motriz da vida

The Three Sisters (1783)de Benjamin West

A força motriz da vida não pode ser o problema, deve ser seu sonho.
O problema pode atuar como um furação invertido que o arremessa sempre e invariavelmente para baixo, em direção ao Hades. Já o sonho detém o condão de aproximá-lo dos céus, do Olimpo, dos deuses. 
Rodoux Faugh

domingo, 26 de julho de 2015

O amor, o vulcão e o rio

Bazille, Frederic - La Toilette - 1869/70


Amar é como explodir por dentro
fazer do coração um vulcão em permanente erupção
e da razão um risco efêmero na crista mansa de uma curva de rio  
Rodoux Faugh

segunda-feira, 20 de julho de 2015


Goya, Francisco - Two Old Men - 1821-1823


“... quisera libertar o estado de suas amarras e tentáculos paralisantes, asfixiantes... mas os íncubos – enquanto bradavam por liberdade e transparência – tratavam, na verdade, de aprisioná-lo com cordas e tirantes de aço... “
Rodoux Faugh

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O único cadinho de Deus que nos é permitido tocar


Quem, senão Deus, teria o dom da criação?
Quem, senão Deus, teria recebido a santa graça
de fazer romper das trevas a luz?
de fazer brotar na matéria bruta a alma e o espírito que anima
e movimenta
e dá curso, sentido, harmonia ao gesto?
Quem, senão Deus, seria capaz de abraçar sem constranger
abrigar sem algo cobrar
aconchegar sem o quê do desdenhar
doar sem a fração vil do trocar
estimular, elevar, orientar, corrigir
assim naturalmente, bem naturalmente
como se estivesse a respirar, cantarolar?
Responda caso exista na terra quem guarde a chave do segredo-mater
Quem, senão Deus, seria capaz de insinuar o rasante sereno, frágil e
sublime da borboleta-azul
mas ousar o vôo soberano, impetuoso e virtuoso da águia-real?
Seria a mãe-do-sol?
A mãe-do rio talvez...
Ou seria a mãe-do-ouro, a senhora reluzente que
guarda todas as minas do precioso torrão dourado?
Poderia ser a mãe-do-fogo, a alva tora de madeira que guarda diligente
a chama por dias a fio?
Investigo e não encontro quem – à semelhança de Deus – teria o
poder de sussurrar ‘fiat lux’
dobrando a escuridão numa via larga que irradia clara claridade
Então recorro à mãe-da-mata, à mãe-da-lua
à mãe-da-taoca, à mãe-de-anhã
à mãe-de-aratu, à mãe-de-tamaru
Inquiro à mãe-de-balata, à mãe-da-tora
Do infinito, responde um silêncio denso... chego a pressenti-lo
sim, consigo tocá-lo
Então me quieto num esforço quase insano para escutar o coração
E ele bate, e rebate, e repica num frenesi afoito
e ressoa intensamente, se impacienta, clama e ser arvora no direito de responder
E o faz também inquirindo
Quem exala, com intensidade, carinho
e dissemina, com grandeza, perdão
e semeia, com graça-divina, amor
senão a mãe que origina e amamenta
sustenta, educa e, educando, germina o planeta?
Quem?, senão a mãe que acompanha
e edifica
nascida para ungir o mundo de centelhas e luzes, como nas infindáveis
erupções solares?
Sim, a fonte originária, a fonte primeira
A santa-madre
a mulher-deusa
a única capaz de avançar no paraíso
para de lá extrair rebentos, filhos, fachos de vida
Mãe: eis aqui a nossa resposta!
Porque mãe é o único cadinho de Deus que nos é permitido tocar.

Rodoux Faugh

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Morte?


Qual morte? Desfecho e desenlace?

Que heresia bradas?
Se algo está para findar
Se o instante é de expirar, perecer,
fechar os olhos a alguém num ultimo e gélido suspiro
Então me sublevo, é um direito que me reservo
E me levanto para dizer não à agonia do crepúsculo, de qualquer crepúsculo
Porque é de existência que se trata
não de perda, jamais de partida
Se algo está para findar e desaparecer
para expirar e se acabar
É nada além de tua estultice lívida, de tua plúmbea insensatez
Porque é de existência que se trata
Sopro de vida, aurora, aura de luz
Fios e mais fios de branda e doce esperança
lânguida como o pulsar de um coração apaixonado
Jamais serás capaz de perceber o palpitar da terra
o respirar das árvores
o nascer e renascer diuturno dos céus e dos ares
A vida jamais se esgota, sequer se engana – eu sei!
O que parece morte é como a vida renascida rompendo o fértil ventre materno
A noite não passa de sutil cortina a abrigar a cândida sonolência dos infinitos raios de sol
Os mesmos que daqui a pouco vão explodir em luz, conformando o novo dia, a nova
era, os novos homens...
 
Rodoux Faugh

terça-feira, 30 de junho de 2015

Femme Nue a Plat Ventre - Auguste Rodin

amar é se reconstruir a cada dia, é tornar a energia destruidora de mil tornados na brisa amena de uma tarde de verão ...
Rodoux Faugh

domingo, 21 de junho de 2015




Botticelli, Sandro - Primavera - 1482

A forma mais leve de ser faz morada no ensinar
Rodoux Faugh

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Aniversário




Há um dia especial em que os astros se reúnem para iluminar o universo

               Para dotá-lo de mais brilho, claridade, transparência

                               Para untá-lo com mais alegria, movimento, compromisso com o belo e a verdade

Há um dia especial em que os astros se reúnem para iluminar o universo

                E encantam-no com partículas especiais de Deus que, amanhã, a divindade latina chamará lucem

É o dia do aniversário

O dia que a centelha se faz vida

                e ilumina a existência por toda a eternidade

instante mágico em que o homem toca o dedo criador e virtuoso de Deus

O dia do aniversário!
Rodoux Faugh

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As mãos que tecem o tecido são as mesmas que tecem o amanhã






Ainda que pareça tarde
Ainda que insistam ser tarde
Ainda que o tempo se apresente como tarde
Jamais esqueça que as mãos que tecem o tecido

São as mesmas que tecem o amanhã  
Rodoux Faugh